
Este é nosso primeiro relato na vida real, a preto-no-branco, aquela que encaramos de frente. E hoje é um dia daqueles em que saímos contentes de casa, com sensação de esperança, inspirando cada fragmento de ar profundamente e sorrindo, como se tivéssemos de aproveitar o mundo passando por nós a cada passo.
Agora temos novos bons amigos,
né filho? Na verdade, são amigas. Débora e suas duas filhas, vizinhas da casa da rua de trás. Elas também tem
brinquedinhos no
vitrô do banheiro. Com muita simpatia, boa vontade e desejo de compartilhar suas vidas, as três saíram para caminhar
conosco.
Bem, foram comigo ao pronto socorro. Sim, PS, S.O.S,
código morse :-) Eu. Mas o que me surpreende, é que na insistência da recusa por médicos convencionais, acabo por me surpreender. Porque me deparei com uma mulher
super humana, que me abordou logo de cara pelo corredor do hospital :
" - Nossa! Olha como você carrega seu bebê! parece até que isso é da minha terra! Sou de Moçambique!"
Hã!!?? Nossa! De Moçambique! Não é diariamente que encontramos uma médica clínica africana! Sul da África....
E ela continuou animada...
" - Meus pais são indianos, da mesma região de onde é
Gandhi. Com a guerra branca (!) de 1947, fugiram de lá e foram para Moçambique. Foi quando
começou a guerra sangrenta e fugiram de Moçambique".
Nossa....
Com um sorriso suspirado, olhou meu pequeno que dormia, me desejou boa sorte e seguiu em frente. Após 20 minutos talvez, volta ela, entra no consultório e chama o próximo:
" -
Alessandra!" :-)
A consulta foi satisfatória, posso classificá-la como excelente médica. Para não entrar em detalhes, porque não são sintomas interessantes de ler, estou com
endovirus e que é o surto do momento.
Minhas
amiguinhas me esperavam pacientemente, no meio do caminho nos despedimos e disseram para convidá-las para a próxima caminhada, que será um prazer... Puxa! :-)
Chegando na Dona
Darci, Comi duas fatias de banana frita e conheci seu pai, veio sentar-se à mesa
conosco para fazer seu lanche de banana frita com pão. Um homem de 81 anos, com problema sério de diabetes e pulmão cansado.
Perguntei se estava tudo bem, ele disse que "ultimamente não, sabe filha?" ... Não consigo caminhar bem, minhas pernas não deixam. Não sei se fiz bem, mas disse ao velho homem que é nessas horas que damos valor às voltas de bicicleta. A vida cansa?
Isso porque no caminho, quando conversava com minhas novas
amiguinhas, falei no meu desejo de ter uma bicicleta (roubaram a minha) para adaptar um banco na frente pro meu filho, e um apoio pra
Isa, que sempre andou no
guidão da minha
bici. Amamos juntas o cheiro de liberdade do vento. Que no momento em que estiver andando com ela e o meu
Alezinho; neste momento sentirei que não preciso de mais nada na vida pra ser feliz. (...)
Ainda em tempo, de volta à cozinha com bananas fritas, houve um rápido momento onde meus olhos encontraram suas mãos e de sua filha de passagem no ar. As do homem, mãos enrugadas e lentas; E de sua filha, mãos maduras e
prestativas. Minhas mãos...
Voltamos para casa eu e o
bebezinho, em silêncio.
Sabe, sinto prazer em poder dar de mamar e fazê-lo dormir. Não tenho pudores para contar isso.
Boa noite!