sábado, 29 de novembro de 2008

Pesadelo : Meu filho não come comida? Como assim? (Muito bom!)



Mas neles dói ainda mais

As famílias, especialmente as mães, sofrem com os conflitos em torno da comida. Sofrem muito. Como escreveu uma delas: «É horroroso ter medo da hora de comer chegar».

Se a mãe tem medo, que terá seu filho? Por grande que seja sua angustia, lembre-se sempre que seu filho está sofrendo ainda mais. Não está te aborrecendo ou desafiando, não está te manipulando, não «sabe latim», não está mostrando seu espírito de oposição... Está, simplesmente, aterrorizado.

"Estou preocupada com meu filho (quinze meses) porque não come, retém a comida na boca e depois de um tempo joga para fora e não engole, faz tudo isso, só para de chorar quando paro de dar a comida."

Porque, para a mãe, sempre há uma porta, uma saída, um con­solo, uma esperança. Você está preocupada porque seu filho não come, angustiada porque teme que adoeça, constrangida por familiares e amigos que te observam fixamente e afirmam «este menino teria que comer mais», como acusando-a de ser uma desleixada. Se sente rejeitada por um filho que, incompreensivelmente, não aceita o que você oferece com tanto carinho; e se sente culpada quando vê seu filho chorar e pensa que está fazendo mal para ele... Mas também é verdade que você é uma pessoa adulta, com todos os recursos da inteligência, da educação e da experiência. Que conta com o amor e o apo­io de seus familiares e amigos, que, provavelmente, se colocaram contra você neste conflito. Que criar um filho, embora seja temporariamente o centro do seu mundo, no é seu úni­co mundo. Você tem uma história e um futuro, algumas afeições, talvez uma profissão. Tem, certa ou não, uma idéia que explica o que está acontecendo; sabe por que obriga seu filho a comer (embora talvez não saiba por que ele não come), e nos momentos de mais profunda desesperação não deixa de repetir para si mesma que tudo é para o bem dele. Tem, ainda, uma esperança, pois sabe que as crianças maiores comem sozinhas, e que esta eta­pa durará só alguns anos.

E seu filho? Que passado, que futuro, que educação, que amizades, que explicações racionais, que esperanças tem? Seu filho só tem a você.

Para um bebê, a mãe é tudo. É a segurança, o carinho, o calor, o alimento. Em seus braços é feliz; quando você se afasta, chora desesperado. Diante de qualquer necessidade, diante de qualquer dificuldade, só tem que chorar; sua mãe socorre na mesma hora e resolve tudo.

Há pouco tempo, entretanto, algo vai mal. Chora porque comeu muito, mas sua mãe, em vez de acudir-lo como sempre, tenta obrigar-lo a comer mais ainda. E cada vez é pior: a suave insistência do começo logo dá lugar a gritos, choros e ameaças. Seu filho não pode enten­der por quê. Ele não sabe se comeu mais ou menos do que disse o livro, ou do que disse o pediatra, ou do que come o filho da vizinha. Ele nunca escutou falar do cálcio, nem do ferro nem das vitaminas. Não pode entender que você crê fazer tudo isso só pelo seu bem. Só sabe que sua barriga dói de tanta comida, e mesmo assim lhe entalam mais ainda. Para ele, esta conduta de sua mãe é tão absolutamente incompreensível como se o maltratasse ou o deixasse passar a noite nú no quintal.

Muitos bebês passam horas, às vezes seis horas por dia, «comen­do», ou para falar a verdade, batalhando com sua mãe junto à um prato de comida. Não sabe por quê. Não sabe quanto isso vai durar (ou seja, crê que durará eternamente). Ninguém lhe dá a razão, ninguém o anima. A pessoa que ele mais gosta no mundo, a única pessoa em que pode confiar, parece ter se voltado contra ele. Seu mundo inteiro se desmorona.



As crianças pequenas, por mais que tentem, não podem comer a quantidade de verdura necessária, porque não cabe em seu estômago.

O leite materno tem70 calorias (quilocaloria, embora muita gente chame simplesmente «calorias») por 100 g; o arroz fer­vido 126 calorias, o grão-de-bico cozido 150 calorias, o frango 186 calorias, a babana 91 calorias... mas a maça tem 52 calorias por 100 g, a laranja 45, a cenoura cozida 27, a couve cozida 15, o espinafre cozido 20, as ervilhas verdes 15, o alface crú 17 calorias/100 g. E isso contando com que estejam bem escorridas; a sopa ou o triturado com a água do cozimento tem ainda menos «sus­tância».

Há alguns anos, um investigador teve a curiosidade de ana­lisar as papinhas de verduras com carne preparadas por várias mães madrilenhas para seus filhos; a concentração calórica média era de 50 calorias por 100 g. A média, porque algumas tinham apenas 30 calorias por 100 g. E isso com carne, imagine a verdura sozinha. Você ainda acha estranho que seu filho prefira o peito à papinha? Ainda acredita, quando lhe dizem que «esta criança tem que comer mais, só com o peito não vai engordar»?

Se isso tranquiliza, as crianças pequenas não parecem ter uma repugnância absoluta pelas verduras. Não é um problema de sabor. Muito mais que isso, normalmente aceitam bem una pequena quantidade de ver­duras, que são ricas em vários minerais e vitaminas de importân­cia. Porém sua dose normal parece ser de apenas poucas colheradas. Para alguns, como as verduras são muito «saudáveis», pretendem dar-lhes um prato inteiro. E, ofensa sobre ofensa, dar-lhes esse prato de verduras ao invés do peito ou da mamadeira, que tinham o triplo de calorias ou mais. «Querem me matar de fome», pensa o pequeno, que não sai do seu assombro; e, naturalmente, se nega a aceitar qualquer coisa. Começa a briga, e o pequenino pode criar tanta implicância com a fruta e com a verdura que logo, quando cresça caibam no estômago, tampouco vai querer.

Muitos deixam de comer com um ano

Como vimos, os bebês comem, em relação ao seu tamanho, muito mais que os adultos. Isso significa que, durante o processo em que se transformam em adultos, mais cedo ou mais tarde terão que começar a comer menos. Mais cedo do que tarde, para surpresa e terror de muitas mães. Os pequenos às vezes querem «deixar de comer», aproximadamente, ao completar o primeiro ano. Alguns já deixam de comer desde os nove meses; outros «aguentam» até um ano e meio ou dois anos. Alguns poucos nunca deixam de comer, enquanto outros «nunca comeram, desde que nasceram».

O motivo dessa mudança ao redor do primeiro ano é a diminuição da velocidade de crescimento, que já comentamos. No primeiro ano, os bebês engordam e crescem mais rapidamente do que em nenhuma outra época de sua vida extra-uterina. Durante o segundo ano, em compensação, o crescimento é muito mais lento: uns 9 cm, e um par de quilos. Assim temos que, dos três principais capítulos do gasto energético, a energia necessária para mover-se aumenta, porque o pequeno se move mais; e a necessária para se manter com vida também aumenta, porque o pequeno está maior. Mas a energia necessária para crescer diminui de forma espetacular, e o resultado é que o pequeno necessita comer o mes­mo ou menos. Segundo os cálculos dos experts, as crianças de um ano e meio comem um pouquinho mais do que os de nove meses; mas isso não passa de uma "média", e muitas crianças de um ano e meio comem, na verdade, menos que aos nove meses. Os pais, não informados deste feito, usam um raciocínio aparen­temente lógico: «Se com um ano come tanto, com dois comerá o dobro». Resultado: uma mãe tentando dar o dobro de comi­da a uma criança que necessita a metade ou menos. O conflito é inevi­tável e violento.

Até quando os pequenos seguem sem comer? A situação parece ser transitória. Aconselhadas por avós, vizinhas e pediatras, as mães parecem confiar "que seu filho mudará". Contudo, muitas crianças, aos cinco ou sete anos, ao aumentar seu tamanho corporal, começam a comer algo mais que antes. Porém não sempre é este pequeno aumento suficiente para acalmar as aspirações de suas famílias. Por uma parte, a quantidade de ali­mento que cada pessoa necessita é muito variável, e algumas crianças comem muito mais ou muito menos que seus companheiros da mesma idade e tamanho. Por outra parte, as expectativas dos pais podem ser também muito diferentes; algumas mães se con­formariam quando seu filho terminasse o prato de macarrão, outras esperam que depois do macarrão coma também uma bisteca com batatas, uma banana e um iogurte. Por um ou outro motivo, muitas crianças seguem «sem comer» até o início da adolescência. Então, quando o lento crescimento dos anos precedentes se converte em «a esticada», a rapaziada sente um insaciável apetite, e para assombro e alegria de suas mães, arrasam a geladeira e enfiam guela à dentro tudo o que encontram em uma só bocada.

Trecho extraido do livro "Meu filho não quer comer", pelo grandioso pediatra Carlos Gonzalez, traduzido do espanhol He-he


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Conversando com o papel pra tentar dormir melhor

O aguardar conforma-me.

Existe uma impaciência que domina o meu corpo, e a abstinência é um nome formal para explicar a sensação de não poder ir lá no meio de tudo, fazer algo por eles.

Tirar aquela água toda com as mãos talvez, salvar suas coisas, desafogar pessoas, ajudá-los a não sentir fome. Que faço?

Eu sou eles, eles são eu, parte minha.

Mas aí penso que poderia ser a estar lá no lugar deles. Aí sim penso que o melhor é esperarmos aqui quietos no nosso canto isolado.

Aqui na praia de Cabeçudas pouco foi atingido. A areia da praia sim, está destruída pela revanche do mar. Junto com árvores inteiras e sujeiras da própria natureza, encontram-se milhares e milhares de garrafas de plástico pet.

Sim, a Terra quer dizer que está cansada. Quem enxerga a mensagem? Mas este é outro patamar a ser discutido.

Precisamos pensar naquelas pessoas. O desgosto e desespero desenham sutilmente seus rostos. Esse retrato não sai mais da minha cabeça.

Nós aqui, eu e meu bebê, minha irmã, sua filha, esposo e a família dele; estamos protegidos e confortáveis. Mas andando por aí, é fácil deparar-se com pessoas um pouco perdidas, um pouco encontradas, talvez ainda não saibam para onde caminham ou o quê suas crianças vão comer : cada membro da família caminhando com uma sacolinha de supermercado na mão. O resto? Ficou para trás. Mais duro do que isso deve ser a perda de um ente querido.

Apesar de tudo, também estou meio perdida. Tinha compromissos com pessoas daqui. Mas não consigo parar de pensar em como devem estar, pessoas queridas e de bem. Quase todos os telefones não estão funcionando bem.

Mas e eu? O que é que eu posso fazer?

Tirar fotografias não me parece muito digno, a situação não é muito atrativa. Aliás, o jornal já se encarrega de retratar a calamidade, apesar de não conseguir alcançar uma intimidade focando um rosto judiado de um cidadão local.

À mim e minha irmã, nos tocou sair pela vizinhança pedindo alimentos, cobertores. Então, todos ajudando, e nós estamos juntando pouco a pouco e levando lá onde esperam muito.

Muito bonitinho, meu Alezinho pendurado no sling, sempre comigo, e juntos estamos vivendo isso tudo.

Estar vivo e à disposição é valioso.

E assim termino meu relato. Escrevendo me sinto melhor. Boa noite.

(25/11/2008, por volta das 23:00 horas)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

FÁTIMAAAAAAA !!!


Temos tanta coisa pra contar...
O Pequeno Príncipe parece querer ser um homenzinho já tão cedo, tem uma inteligência impressionante e uma força brutal admirável, seguida de um domínio e equilíbrio sobre o seu próprio corpo que é impressionante!

Muita coisa vem acontecendo; e cada vez mais me convenço de que aquela teoria de Leonardo Boff com suas reflexões sobre o tempo têm fundamento, e muito!!!

Porque o dia cotidiano parece MESMO não mais conter 24 horas ... Nossa! O tempo têm sido muito curto! Reflexos da maternidade tão somente?

Enfim, Me sinto em falta aqui no blog, preciso atualizar minhas colunas, dar continuidade à construção que estava fazendo acontecer. Não me abandonem, por favor! Preciso de estímulos!

E parece que terei que abrir um espaço aqui no blog só para letras de músicas que me inspiram, porque tenho tido algumas dominando minha mente como se fossem martelo! Umas em forma de protesto, outras de saudades, outras em forma de assumir-se uma identidade... Outras com palavras de puro amor e carinho.

E observando meu "mundo mundano", no dia-a-dia, me deparo com problemas - pra não dizer defeitos e/ou falhas - que só podem ser meu espelho para que eu implique tanto. Que mundo, que sociedade doente, carente, cega, enferma mesmo. Quanta sujeira, quanta estética, quanta devoção ao nada.

Enfim, a música inspiradora do dia é essa:

Vocês esperam uma intervenção divina

Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender

E vocês armam seus esquemas ilusórios

Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez

Mas acontece que tudo tem começo

Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês


E as ameaças de ataque nuclear

Bombas de neutrons não foi Deus quem fez

Alguém, alguém um dia vai se vingar

Vocês são vermes, pensam que são reis

Não quero ser como vocês

Eu não preciso mais

Eu já sei o que eu tenho que saber

E agora tanto faz


Três crianças sem dinheiro e sem moral

Não ouviram a voz suave que era uma lágrima

E se esqueceram de avisar pra todo mundo

Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima

E de repente o vinho virou água

E a ferida não cicatrizou

E o limpo se sujou

E no terceiro dia ninguém ressuscitou


A inspiradora FÁTIMAAAAA!!!
Do capital Inicial, E em especial no episódio apaixonante acústico Mtv.
Porém essa canção é um espólio do Aborto Elétrico, composição: Fê Lemos e Renato Russo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eu Tenho Mais de 20 Anos e Mais de Mil Perguntas

Olá! Aparecemos! Peço desculpas por sumir, mas a vida anda um pouco acelerada.

Mas agora preciso cantar uma música que não sai mais da minha cabeça:

20 Anos Blues

Elis Regina

Composição: Vitor Martins e Sueli Costa
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal

Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligada num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal

Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

sábado, 11 de outubro de 2008

Sobre a Vida, Ilusões, Virtudes e a Natureza do Homem


Por Leonardo Da Vinci
"Aquilo que é justo ao homem passa e não dura.

Somos enganados por promessas e iludidos pelo tempo, e a morte zomba de nossos cuidados; as ansiedades da vida nada são.

É extremamente tolo o homem que sempre sofre privação por medo da privação, e sua vida passa enquanto ele ainda espera desfrutar das coisas boas que adquiriu com grande esforço.

Aquele que mais possui mais tem medo de perder.

Evite aqueles estudos em que o trabalho resultante morre com o trabalhador.

Nos rios, a água que tu tocas é a última que passou e a primeira que virá: assim é com o tempo presente. A vida bem vivida é longa.

A idade, à medida que voa, desliza secretamente e e engana um e outro; nada é mais passageiro que os anos, mas aquele que semeia virtude colhe honra.

Na juventude, adquira aquilo que poderá restaurar o dano da idade avançada; e se você for cuidadoso, a idade avançada terá sabedoria por alimento; irá impenhar-se tanto na juventude que sua idade avançada não ficará sem sustento.

O ambicioso, para quem nem o benefício da vida, nem a beleza do mundo são suficientes, recebe como pena a vida desperdiçada; e ele não possui nem os benefícios, nem a beleza do mundo.

Assim como um dia bem vivido traz um sono feliz, uma vida bem usada traz uma morte feliz.

Erradamente, os homens lamentam o passar do tempo, acusando-o de ser muito rápido, não percebendo que este período é suficiente. Mas a boa memória com a qual a natureza nos dotou faz com que tudo que passou há muito tempo pareça presente.

Onde há mais sentimento há mais martírio.

O maior bem é a sabedoria; o maior mal é o sofrimento do corpo.

Os homens bons por natureza desejam saber.
Se no prazer tua mente deve se alimentar.

E a ti, homem que diz possuir só o bem. Tu és um mentiroso. O bem precisa do mal, o mal precisa do bem. Por natureza, nós usamos o equilíbrio das coisas.

Se não há amor, o que há então?

Da Vinci.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Bebê e a Introdução de Alimentos

- Por Dr. González

"Os conflitos entre a mãe o filho durante a amamentação ou uso de mamadeiras podem ser terríveis, mas ainda bem que são pouco freqüentes. A introdução de alimentos sólidos é uma oportunidade nova de perigo e devemos trilhar este caminho com cuidado.

Para esclarecer, quando mencionamos "sólidos", não nos referimos apenas aos alimentos oferecidos ao bebê com uma colher. Usaremos o termo para referir-se a qualquer comida além de leite humano ou leite modificado, mesmo água, chá ou comidas duras como biscoito.


Muitas mães encontram-se sobrecarregadas de informação a respeito de regras, grandes, pequenas e médias envolvendo alimentação de bebês. Elas recebem conselhos de pediatras e enfrmeiros, algumas informações muito mais complexas e detalhadas que aquelas dadas pelos especialistas famosos, palpites de família e amigos, bem como as "conversas de comadre" que alertam sobre evitar comidas "reimosas" ou "incompatíveis".

Incapaz de seguir todas as regras ao mesmo tempo, muitas vezes a mãe opta por rejeitar todas e fazer somente aquilo que ela quer. O risco é de que ela ignore as recomendações realmente importantes. Para evitar tal problema, vou diferenciar claramente entre as opções onde há um grau de consenso em relação à sua importância (baseadas numa combinação de normas internacionais) e aquelas sugestões que parecem úteis, embora outros profissionais possam ter opções diferentes.

Pontos Importantes

Tenha em mente os seguintes pontos, embora eles não devam ser tomados como dogma:

1. Nunca force uma criança a comer.
2. Amamente exclusivamente até 6 meses (sem papinhas, suco, água, chás, etc.).
3. Aos 6 meses, comece (sem forçar) a oferecer outros alimentos, sempre depois da mamada ao seio. Bebês não amamentados devem tomar 500ml de leite artificial por dia.
4. Introduza os alimentos um de cada vez, esperando uma semana entre comidas novas. Comece com quantidades pequenas.
5. Ofereça alimentos que contêm glúten (trigo, aveia, centeio) com precaução.
6. Quando cozinhar para o bebê, escorra bastante o alimento, evitando encher a barriga dele com água.
7. Espere até 12 meses de idade para introduzir alimentos altamente alergênicos (especialmente laticínios, clara de ovo, peixe, soja, amendoim e muitas outras comidas que já causam alergia em membros da família).
8. Não acrescente sal ou açúcar aos alimentos.
9. Continue amamentando por 2 anos ou mais.

Em algumas situações pode-se introduzir sólidos antes de 6 meses (mas nunca antes de 4): quando a mãe trabalha, por exemplo. Ou quando a criança claramente pede para ser alimentada agarrando o alimento e colocando-o na boca sozinha.

"Oferecer" significa que, se ele quiser comer, o bebê come, mas se não quiser, não come. Muitas crianças recusam tudo menos o seio até 8 ou 10 meses, muitas vezes mais.

Alimentos sólidos são oferecidos depois da amamentação, não antes, e certamente não em substituição à amamentação. Somente assim você tem certeza de que seu bebê tomará o leite de que precisa. Acredita-se que entre 6-12 meses, o bebê precise de cerca de 500 ml de leite por dia. Claro que isso é uma média, muitos tomam mais e outros ficam bem com menos. Uma criança que toma mamadeira pode facilmente ficar bem com 2 mamadeiras de 250 ml ao dia. Não é razoável, porém, esperar que um bebê amamentado tome 250 ml a cada 12 horas; os seios da mãe ficariam desconfortavelmente cheios. Faz mais sentido para bebês amamentados tomar 100 ml cinco vezes por dia, ou 70 ml sete vezes por dia. Certamente você não sabe (ou não sabia antes de iniciar os sólidos) quanto leite seu bebê mama; mas se ele é amamentado antes da oferta de sólidos, você fica tranqüila sabendo que ele mama o que precisa.

Que comidas devo oferecer primeiro?

Não importa. Não há base científica que suporte a recomendação de um alimento antes de outro. Se você oferecer frutas primeiro, seguidas por cereal, depois frango, você estará seguindo as orientações da ESPGAN (Sociedade Européia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátricas). Mas se você der frango, depois legumes e cereais por último, também estará dentro das normas.

Digamos que você decida começar com banana amassada. Depois da amamentação, ofereça ao bebê uma ou duas colheres. No primeiro dia é sempre melhor oferecer só um pouquinho, ainda que ele aceite bem. Se ele recusar a primeira colherada, não insista, mas continue oferecendo a cada um ou dois dias. Se ele aceitar bem, você pode aumentar a quantidade a cada dia. Depois de uma semana, você pode tentar outro alimento, como batata doce ou abacate. Na semana seguinte, pode oferecer um pouquinho de arroz. Cozinhe arroz (melhor ainda, cozinhe até virar papa), sem adicionar sal. Você pode adicionar azeite (ficará mais saboroso e terá mais calorias).

Esta ordem é só um exemplo, você pode inverter, se quiser. Claro, se alguma das comidas causar diarréia ou outros sintomas, ou se o bebê rejeita veementemente, é melhor esperar algumas semanas. Se uma reação mais severa é observada, como uma vermelhidão na pele, consulte o pediatra.

Também não é necessário introduzir uma comida nova a cada semana. Variedade significa um pouco de cereais, um pouco de legumes, um pouco de frutas – mas não é vital que o bebê coma muito de cada grupo. Maçãs não possuem nada diferente das peras e a maioria dos adultos vive bem comendo apenas dois tipos de ceral: arroz e trigo, deixando o resto para o gado. Se seu filho já come frango, você não estará acrescentando nada ao oferecer novilha. Antes de 1 ano, a introdução de muitos alimentos diferentes somente significa comprar mais bilhetes para a loteria da alergia.

A razão principal de oferecer outros alimentos ao bebê com 6 meses (e não depois) é que alguns bebês precisam de ferro extra. Portanto, seria lógico que comidas ricas em ferro fossem introduzidas primeiro. Por um lado, há carnes com alto teor de ferro orgânico altamente biodisponível. Por outro, há legumes, leguminosas e cereais que contêm ferro inorgânico, mais difícil de ser absorvido a menos que esteja combinado com vitamina C. É por isso que muitos adultos comem a salada primeiro (rica em vitamina C), depois os grãos e legumes, com a sobremesa por último. O que é comumente feito com bebês na Espanha não é uma idéia muito boa, oferecendo a eles somente grãos numa refeição, legumes na outra e fruta na próxima. Quando seu bebê ingere muitos alimentos, é uma boa idéia combiná-los , oferecendo-os numa mesma refeição (não batendo todos juntos no liqüidificador) ao invés de fazer menus monocromáticos ("hora do cereal").

E se ele não quer comer comida de bebê?

Não se preocupe, isso é totalmente normal. Não tente forçá-lo. Você talvez tenha sido aconselhada a oferecer sólidos antes do peito, assim ele estará com fome suficiente para comer. Isso não faz o menor sentido, uma vez que o leite materno nutre muito mais que qualquer outro alimento. É por esta razão que usamos o termo "alimentação complementar". Sólidos não são nada mais que um complemento ao leite materno. Se seu bebê mama e depois rejeita frutas, nada acontece; mas se ele aceita fruta e depois não mama, ele sai perdendo. Mais fruta e menos leite é uma receita para perda de peso.

O mesmo vale para leite artificial. Lembre-se de que se você não está amamentando, você precisa dar ao bebê meio litro de leite diariamente até que ele tenha 1 ano de idade. Não é bom negar o leite para que ele coma mais."

Do livro My Child Won't Eat, Dr. Carlos González.

Tradução de Flavia Mandic

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O importante do que importa é que tanto faz! Filosofando...




Pirro
de Élis (c. 360 a.C. - c. 270 a.C.) foi um filósofo grego, nascido na cidade de Élis, considerado o primeiro filósofo cético e fundador da escola que veio a ser conhecida como pirronismo.

Pirro, junto com Anaxarco, viajou com Alexandre o Grande em suas explorações no oriente, e estudou na Índia com os gimnosofistas e com os Magi na Pérsia. Da filosofia oriental parece ter adotado uma vida de reclusão. Voltando a Elis, viveu pobremente, mas foi muito reconhecido pelos habitantes de Elis e também pelos atenienses, que lhe concederam a cidadania. Suas doutrinas são conhecidas principalmente pelos escritos satíricos de seu pupilo Tímon, o Silógrafo.

Os princípios de sua obra são expressos, em primeiro lugar, pela palavra acatalepsia, que define a impossibilidade de se conhecer a própria natureza das coisas. Qualquer afirmação pode ser contraditada por argumentos igualmente válidos. Em segundo lugar, é necessário preservar uma atitude de suspensão intelectual, ou, como Timon expressa, nenhuma afirmação pode ser considerada melhor que outra. Em terceiro lugar, estes resultados são aplicados na vida em geral. Pirro conclui que, dado que nada pode ser conhecido, a única atitude adequada é ataraxia, "despreocupação".

A impossibilidade do conhecimento, mesmo em relação à nossa própria ignorância ou dúvida, deve induzir o homem sábio a resguardar-se, evitando o stress e a emoção que acompanha o debate sobre coisas imaginárias. Este ceticismo drástico é a primeira e mais completa exposição de agnosticismo na história do pensamento. Seus resultados éticos podem ser comparados com a tranquilidade ideal dos estóicos e os epicuristas.

O caminho do sábio, diz Pirro, é perguntar-se três questões. Primeiro deve perguntar o que são as coisas e de que são constituídas. Segundo, como estamos relacionados a estas. Terceiro, perguntar qual deve ser nossa atitude em relação a elas. Sobre o que as coisas são, podemos apenas responder que não sabemos nada. Sabemos apenas de sua aparência, mas somos ignorantes de sua substância íntima. A mesma coisa aparece diferentemente a diferentes pessoas, e assim é impossível saber qual opinião é a correta. A diversidade de opiniões entre os sábios, como entre os leigos, prova isso. A cada afirmação pode-se contrapor outra contraditória, mas com base igualmente boa, e qualquer que seja minha opinião, a opinião contrária é defendida por alguém que é tão inteligente e competente para julgar quanto eu. Podemos ter opiniões, mas certeza e conhecimento são impossíveis. Daí nossa atitude frente às coisas (a terceira pergunta) deve ser a completa suspensão do julgamento. Não podemos ter certeza de nada, mesmo as afirmações mais triviais.

Diz-se que Pirro era tão cético que isso o teria levado a uma prematura e infortunada morte por volta de 270 a.C.. Segundo a lenda, ele estava demonstrando seu ceticismo vendado quando seus discípulos tentaram avisá-lo de um precipício à sua frente. Recusando-se a acreditar neles, terminou sua vida abruptamente.


Este artigo incorpora texto da décima primeira edição da Encyclopædia Britannica, uma publicação em domínio público.